quinta-feira, 31 de julho de 2014

[REVIEW] Masters of Sex – 2x01/02 – Parallax/Kyrie Eleison


No final da temporada passada, quando Bill bate na porta de Virginia naquela noite chuvosa e diz que ela é muito importante para ele, comecei a fantasiar como seria a relação dos dois a partir dali. Quando você torce por uma casal, é inevitável imaginar certas visões dos dois juntos, felizes e vivendo felizes para sempre. O lado ruim, contudo, é que junto com essas visões vem uma “excitação”, que pode muito bem se seguida por uma frustração. E nada melhor que “excitação” para começar a falar sobre a segunda temporada de Masters of Sex.


Para começar a maneira como o roteiro abordou a história após coito em Parallax me deixou um pouco confuso. Não sei se foi exatamente essa a intenção do roteiro, mas a maneira como a estória estava sendo costurada deixou brechas que iam sendo preenchidas com a nossa imaginação. Não é difícil imaginar que cada um tenha imaginado um final diferente, que foi sendo moldado aos poucos.

A priori deu a entender que Bill e Virginia estavam tendo um caso secreto, fazendo amor loucamente num quarto de hotel longe da cidade, onde existissem só eles e mais ninguém. Porém, a partir do ponto que a história se desenvolve, começa a ficar confusa. O telefone toca, Bill parece parece disperso. No final, com diálogos muito bem executados por sinal, o roteiro puxa o tapete e deixa nossas esperanças de um caso amoroso no chão.

O que achei fantástico foi como a estória foi ganhando corpo, dialogando com ações e vivencias dos personagens. Talvez se não fosse pela aquela conversa que Virginia teve com Lillian, talvez ela tivesse se entregado para Bill, ter dito que queria ficar com ele, que queria ser amada por ele. Por outro lado, Bill estava tentando lidar com os fantasmas do passado, que voltaram encarnados em seu filho. 

Era inevitável, portanto, que depois de uma noite de amor, as coisas entre Virginia e Bill fossem mudar. Os dois ficaram resistentes, medindo as palavras, tentando encobrir os sentimentos e os desejos. Entendo o desejo de Bill de preocupar com a família e sua reputação, afinal ele acabou de ter ganhar um filho. Já Virginia me deixou intrigado. Por que ela não contou a Bill que havia aceitado o pedido de casamento? Que tipo de ressentimento havia ali? Será que não haveria uma maneira de conciliar seu relacionamento com Ethan e o estudo? 



Para mim, isso é um sinal do amor que ela sente (mas tenta esconder) por Bill. Ethan, coitado, viu mais uma vez escorrer suas chances de felicidade ao lado de Virginia, tudo por causa do estudo! Não me surpreenderia se ele largasse tudo e fosse correr atrás da amada de novo. Virginia, por sua vez, mostra a força e a postura de uma mulher moderna, pois é difícil de imaginar que uma mulher naquela época trocaria a chance de um bom casamento, com um bom partido, por causa de um trabalho.


Barton nessa temporada me surpreendendo. Nunca tive muito carisma pelo personagem, e suspeitava que a saída de Master do hospital, iria acabar com a participação de Barton na série. A storyline do personagem no início desta temporada é bem polêmica. O médico seguiu com seus planos de tentar curar sua condição homossexual. Numa época em que os homossexuais tem ganhando bastante espaço na mídia televisiva internacional, abordar procedimentos de "cura" é discutir de forma pertinente a homossexualidade e todo o preconceito que o tema envolve.

Gostei da forma de como a série abordou o tema, mostrando cenas fortes do tratamento de “cura” impiedoso com eletro choque e suas conseqüências. Acredito que seria necessária muita coragem naquela época para um homem naquela posição optar por um tratamento daqueles. Além do desejo de mudança que o personagem nutre, o plot mostra de forma clara com as pessoas tentam lidar com o  viver dentro do armário.

Margaret, contudo, deveria ganhar um prêmio por ser uma esposa tão compreensiva. Não deve ter sido nada fácil para ela descobrir que o marido é gay. Mais difícil teve ter sido o desprezo que ela viveu em todos os anos de casamento, sem amor que ela merecia, que ela esperava receber do marido. Barton, por sua vez, já deu inúmeras provas do seu amor pela esposa. A tentativa frustrada de querer fazer sexo com ela, fingindo que ela fosse um rapaz, acabou sendo a gota d'água, levando-o a tentativa de suicídio.


Margareth foi prudente em não ceder. Mostrou que a personagem está crescendo, procurando e valorizando o amor próprio. Ela quer amor, ela quer ser amada, notada  e ter um orgasmo! Ela quer um homem que faça amor com ela, olhando nos olhos. Isso é bem diferente daquela mulher da temporada passada, que teria cedido aos encantos de marido. 

O roteiro foi prudente, e de certa forma, cauteloso em abafar esse núcleo por enquanto, mandando Barton e Margareth para uma viagem no exterior. Vivian, portando, apareceu como uma "cicatriz" da ferida que ainda doí. Não me surpreende o fato da filha do casal estar nas escuras sobre a razão do pai tentar o suicídio. Essa é uma questão delicada que deverá ser abordada mais adiante. Acredito que a jovem vai começar a ligar os pontos e suspeitar que há algo errado, e que o problema não é o trabalho, nem o estresse que o pai anda passando. Por enquanto ela pode se contentar por ter tido a sorte e a oportunidade de salvar a vida do pai.


Lillian continua vivendo com seu drama reservado. Gosto da dinâmica que a Virginia deu entrando para esse núcleo. Alguém precisa trazer mais luz para Lillian, dar a doutora alguma perspectiva, uma função mais ativa na trama. Como sendo uma mulher ambiciosa, Virginia deve trazer bons frutos para o estudo da médica. Por enquanto a única coisa que não entendi bem foi o fato de Lillian estar pronunciando as palavras erradas, mas acredito que a metástase tenha chegado ao seu cérebro, atrapalhando sua capacidade de fala. O olho roxo, contudo, permanece um mistério, pois eu ainda não acredito que tenha se tratado de um acidente.


Austin começa a temporada colhendo os frutos de sua infidelidade. Há conseqüências para aqueles que têm facilidade em pular a cerca! Sua esposa contando a infeliz história sobre seu marido e a cunhada dele foi umas das minhas cenas favoritas. Nunca pensei que viria esse tipo de barraco na série. O que me preocupa foi certa insinuação dele para cima de Virginia. A aproximação dos dois pode render boas histórias, mas temos de convir que não vai ajudar a melhorar a reputação de nenhum dos dois no hospital.


Libby começa a temporada obscura. Não consigo mais enxergar a boa moça que ela aparentava ser na primeira temporada. Para começar tenho minhas dúvidas sobre a paternidade do menino. Como sabemos, Bill sofre de alguma anormalidade com seus espermatozódes, o que torna muito improvável que ele consiga engravidar a esposa. Ela por sua vez havia se consultado com Ethan, pedindo para que o jovem médico fizesse um tratamento de fertilidade. E dada a rapidez com que o tratamento surtiu efeito, acredito que tenha havido um doador de esperma.

Provavelmente Bill não suspeita de nada (ainda!), mas Libby não é boba. Essa sabe como controlar o marido. Ela já se viu próximo de perde-lo e o filho era a única maneira de prendê-lo. Um legítimo golpe da barriga. Contudo, ela não parece feliz com seu casamento. Alguma coisa na maneira com que ela estava falando com a nova babá me fez perceber que ali há uma brecha para a infidelidade.

Uma coisa que tem aguçado minha curiosidade é o fato do Bill não se dar bem com a criança. O médico tem certa repulsa, que chega a se transformar em maldade. A maneira como ele encarou o choro da criança, ignorando-a foi pura maldade! Sabemos pouco sobre a infância difícil que ele teve, mas pelas pistas, o pai deveria ser violento. Mas isso não é justificativa para tratar o filho, que não tem culpa de nada, daquela maneira. Provavelmente teremos um desenvolvimento mais adequado desse plot.

Ponto G: Adorei o caso da menina que saiu escondida de casa para fazer sexo. Pelo visto a série pode começar a abordar essas “anomalias”.


Ponto G: Muito feliz pela Betty estar ganhando mais destaque nessa temporada. Depois que casou com o homem rico andou um pouco sumida, mas pelo que parece ela vem com boas estórias essa temporada. Achei meigo da parte dela os conselhos que ela deu para menina.


Ponto G: Alguém sabe explicar aquela reação do doutor Ditmer ao segurar o Ulysses? A impressão que eu tive é que ele teve um orgasmo! Pela maneira como ele estava se referindo ao falo deu a entender que ele era gay, porque ele ficou muito empolgado segurando o equipamento. Melhor foi a cara da Virginia saindo da sala do médio #passada!



Ponto G: Virginia mais uma vez se mostrar como a profissional mais versátil que a série tem. Além de ser pesquisadora, secretária e consultora, ela decidiu revender aqueles produtos para emagrecer.


Ponto G: Nova secretária do Bill, Barbara, será o alivio cômico da série? Ainda não vi função para a personagem dentro da trama, mas confesso que achei o jeito dela engraçado.


E aí? O que você achou do episódio? Comente!

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