segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

[MÚSICA DA SEMANA] Beijinho no Ombro – Valesca Popozuda


Beijinho no Ombro chegou para fechar com chave de ouro o ano de 2013. Em apenas dois dias, o primeiro vídeo clipe da POPSTAR brasileira Valesca Popozuda, obteve 670 mil visualizações. Em termos de Brasil, essa é um grande mérito, principalmente tratando-se de um gênero, muitas vezes, menosprezado pelo "grande público". O fato é que em um único clipe, Popozuda, sambou na cara da indústria POP internacional e se consagrou como rainha do funk e das classes populares.



Mesmo querendo ter ares de Beyoncé, cantando, dançando de salto alto e fazendo carão, Valesca acaba imprimindo em suas canções sua personalidade. Ao contrário de outras colegas de trabalho, a carioca de 35 anos de idade, faz um som mais popular, de raiz,  com características marcantes e escolhas ousadas em suas métricas e rimas.

A importância da artista para a cultura popular do Brasil é tanta, que no ano passado virou tema de dissertação de mestrado. O tema foi bastante difundido, causando a indignação da repórter do SBT Rachel Sheherazade, que, como muitos, não considerem o funk produzido aqui no Brasil como arte. 

Em contra partida, é notório o esforço das camadas mais populares de transmitirem seus imaginários, suas visões de mundo através da sua arte. E isso não é apenas dever do funk. Também do graffite, do cinema, da televisão, do teatro e do esporte. Sempre com uma linguagem característica e única, a favela deixa seu espaço material e começa a querer tomar conta "da geral".

O problema é que a manifestação gera repulsa da "elite", que prega a falsa democracia, ditando a ocupação do espaço público, que em teoria, é para todos. De fato a onda dos "rolezinhos" causa medo e repulsa, porém a origem deles tem base no preconceito e na discriminação. Algo que um reporte chamou de "apartheid à brasileira".

Cabe a nós, cidadãos brasileiros, discutir isso. Mas é inevitável não admitir que da favela ecoa um som. E esse som faz mudar a forma como esses novos artistas lidam com a fama. Depois de uma vida de abstinências e dificuldades, a moda é ostentar. O filme de 7 minutos e 44 segundos, da Popozuda custou R$ 437 mil. Pode  até parecer fichinha para as super  produções internacionais, que chegam fácil na faixa dos milhões, mas para nossa realidade, é um grande passo.

Sem mais delongas, vamos curtir toda essa crocância. Beijinho no ombro e uma boa semana para vocês ;)




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